quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Consolador Prometido


3 – Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)
4 – Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pode dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.
Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?
O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem, para ir até o fim do caminho.
Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

SIMEÃO E O MENINO

 
 
Dizem que Simeão, o velho Simeão, homem justo e temente a Deus, mencionado no Evangelho

de Lucas, após saudar Jesus criança, no templo de Jerusalém, conservou-o nos braços

acolhedores de velho, a distância de José e Maria, e dirigiu-lhe a palavra, com discreta emoção:

-Celeste Menino – perguntou o patriarca -, porque preferiste a palha humilde da Manjedoura? Já

que vens representar os interesses do Eterno Senhor na Terra, como não vestiste a púrpura

imperial? Como não nasceste ao lado de Augusto, o divino, para defender o flagelado povo de

Israel? Longe dos senhores romanos, como advogarás a causa dos humildes e dos justos?

Porque não vieste ao pé daqueles que vestem a toga dos magistrados? Então, podereis ombrear

com os patrícios ilustres, movimentar-te-ias entre legionários e tribunos, gladiadores e

pretorianos, atendendo-nos à libertação... Porque não chegaste, como Moisés, valendo-se do

prestígio da casa do faraó? Quem te preparará, Embaixador Eterno, para o ministério santo?

Que será de ti, sem lugar no Sinédrio? Samuel mobilizou a força contra os filisteus, preservandonos

a superioridade: Saul guerreou até a morte, por manter-nos a dominação; David estimava o

fausto do poder: Salomão, prestigiado por casamento de significação política, viveu para

administrar os bens enormes que lhe cabiam no mundo... Mas... tu? Não te ligaste aos príncipes,

nem aos juízes, nem aos sacerdotes... Não encontrarias outro lugar, além do estábulo singelo?...

Jesus menino escutou-o, mostrou-lhe sublime sorriso, mas o ancião, tomado de angústia,

contemplou-o, mais detidamente, e continuou:

- Onde representarás os interesses do Supremo Senhor? Sentar-te-ás entre os poderosos?

Escreverás novos livros da sabedoria? Improvisará discursos que obscureçam os grandes

oradores de Atenas e Roma? Amontoarás dinheiro suficiente para redimir os que sofrem?

Erguerás novo templo de pedra, onde o rico e o pobre aprendam a ser filhos de Deus? Ordenará

a execução da lei, decretando medidas que obrigam a transformação imediata de Israel?

Depois de longo intervalo, indagou em lágrimas:

- Dize-me, ó Divina Criança, onde representarás os interesses de nosso Supremo Pai?

O menino tenro ergueu, então, a pequenina destra e bateu, muitas vezes, naquele peito

envelhecido que se inclinava já para o sepulcro...

Nesse instante, aproximou-se Maria e o recolheu nos braços maternos. Somente após a morte

do corpo. Simeão veio, a saber, que o Menino Celeste não o deixara sem resposta.

O infante Sublime, no gesto silencioso, quisera dizer que não vinha representar os interesses do

Céu nas organizações respeitáveis, mas efêmeras da Terra. Vinha da Casa do Pai justamente

para representá-Lo no coração dos homens.
 
(Mensagem extraída do livro "Pontos e Contos", de Irmão X, psicografia de Chico Xavier, FEB)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

34ª SEMANA ESPÍRITA CABENSE



 

Convidamos você para participar da 34ª Semana Espírita Cabense, que será realizada na Câmara de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho, no período de 22 a 28.10.2012 das 19h30min as 21h00min.
Tema Central:  JESUS – O Governador Espiritual da Terra
Programação das Palestras
22.10.12     Jesus e a Família.
23.10.12    Os Ensinamentos de Jesus diante dos Problemas das Drogas.
24.10.12    O Maior Mandamento Segundo Jesus.
25.10.12    Jesus e a Pedagogia do Amor.
26.10.12    Jesus e as Curas Espirituais.
27.10.12    Jesus e o Sermão da Montanha.
28.10.12    Jesus – O Governador Espiritual da Terra.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No Grande Adeus


Cerraste os olhos dos entes amados, orvalhando-lhes o rosto inerte com as lágrimas que te corriam da ternura despedaçada, e inquiriste, sem palavras, para onde se dirigiam no grande silêncio.
Disseste adeus, procurando debalde aquecer-lhes as mãos frias, desfalecentes nas tuas, e colaste neles o ouvido atento, no peito hirto, indagando do coração prostrado a razão porque parou de bater.
Entretanto, o vaso impassível nada pode informar, quanto à destinação do perfume.
Ergue as antenas da prece, no santuário da tua alma, e perceberás o verbo inarticulado dos que partiram...
Saberás, então, que te comungam a dor, estendendo-te as mãos ansiosas. Arrojados à vida nova, querem dizer-te que ressurgiram. Extasiados, perante o sol que a imortalidade lhes apresenta, suspiram por transfundir a saudade e o amor, no cálice da esperança, para que não desfaleças.
Libertos do cárcere em que ainda te encontras, rogam-te a paz e conformação, para que possam, enfim, demandar a renascente manhã que lhes acena dos cimos...
Não lhes craves nos ombros a cruz da aflição, nem lhes turves a mente, no nevoeiro de pranto que te verte da angústia.
Honra-lhes a memória, abraçando os deveres que te legaram, e ajuda-os para que avancem com a tua benção, de modo a te prepararem lugar, na pátria comum, em que todos nos reuniremos um dia.
São agora companheiros que te pedem fidelidade e consolo para que te confortem, à maneira da árvore que solicita a rega da fonte a fim de preservar-se contra a secura.
Ante o fel da separação, trabalha com paciência e confia neles!... E quando a agonia da suposta distância te constrinja os refolhos do espírito, deixa que eles próprios te falem ao pensamento, sob a luz da oração.

(Mensagem extraída do livro "Justiça Divina", Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, FEB)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

MÉDIUM INESQUECÍVEL



Estudando mediunidade e ambiente, recordemos um dos médiuns inesquecíveis dos dias apostólicos: Paulo de Tarso.
Em torno dele, tudo era contra a luz do Evangelho.
A sombra do fanatismo e da crueldade não se instalara apenas no Sinédrio, onde se lhe situava a corte dos mentores e amigos, mas também nele próprio, transformando-o em perigoso instrumento da perseguição e da morte. Feria, humilhava e injuriava a todos os que não pensassem pelos princípios que lhe norteavam a ação.
Mas, desabrocha-lhe a mediunidade inesperadamente. Vê Jesus redivivo e escuta-lhe a voz. Aterrado, reconhece os enganos em que vivera.
Entretanto, não perde tempo em lamentações inúteis.
Não sucumbe desesperado. Não se confia à volúpia da autocondenação. Não foge à luta pela renovação íntima. Percebe que não pode recolher, de pronto, a simpatia da família espiritual de Jesus, mas não se sente fracassado por isso. Observa a extensão dos próprios erros, mas não se entrega ao remorso vazio. Empreende, com sacrifício, a viagem da própria renovação.
Para tanto, não reclama a cooperação alheia, mas dispõe-se, ele mesmo, a colaborar com os outros. Encontra imensas dificuldades para a iluminação da alma; no entanto, não esmorece na luta.
Segundo a palavra fiel do Novo Testamento, é açoitado e preso, várias vezes, pelo amor com que ensinava a verdade, mas, em contraposição, na Licaônia e na Macedônia, foi tido como sendo “Mercúrio” encarnado e “Servo do Pai Altíssimo”. Não se sente, todavia, esmagado pela flagelação ou confundido pelo êxito. Tolera assaltos e elogios como o pagador correto, interessado no resgate das próprias contas.
Diz ainda a Boa-Nova que “Deus operava maravilhas pelas mãos dele”; entretanto, ele próprio declara trazer consigo “um espinho na carne”, que o obriga a viver em provação permanente. E enquanto o corpo lhe permite, dá testemunho da realidade espiritual, combatendo ignorância e superstição, maldade e orgulho, tentação e vaidade.
Nem ouro fácil.
Nem privilégios.
Nem cidadela social.
Nem apoio político.
Ele e o tear que o ajudava a sustentar-se ficaram, através dos séculos, como símbolo perfeito de influência pessoal e meio adverso, ensinando-nos a todos, principalmente a nós outros, encarnados e desencarnados de todos os tempos, que podemos pedir orientação, falar em orientação, examinar os sistemas de orientação, mas que, acima de tudo, precisamos ser a própria orientação em nós mesmos.
 
(Do livro "Seara dos Médiuns", de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, FEB)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Elogios



“Mas ele disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.” – (Lucas, 11:28.)

Dirigira-se Jesus à multidão, com o enorme poder do seu amor, conquistando geral atenção.
Mal terminara as observações amorosas e sábias, eis que uma senhora se levanta no seio da turba e, magnetizada pela sua expressão de espiritualidade sublime, reporta-se, em alta voz, às bem-aventuranças que deviam caber a Maria, por haver contribuído na vinda do Salvador à face da Terra. Mas, prestamente, na perfeita compreensão das conseqüências infelizes que poderiam advir da atitude impensada, responde o Mestre que, antes de tudo, serão bem-aventurados os que ouvem a revelação de Deus e lhe praticam os ensinamentos, observando-lhe os princípios.
A passagem constitui esclarecimento vivo para que não se amorteça, entre os discípulos sinceros, a campanha contra o elogio pessoal, veneno das obras mais santas a sufocar-lhes propósitos e esperanças.
Se admiras algum companheiro que se categoriza a teus olhos por trabalhador fiel do bem, não o perturbes com palavras, das quais o mundo tem abusado muitas vezes, construindo frases superficiais, no perigoso festim da lisonja. Ajuda-o, com boa-vontade e entendimento, na execução do ministério que lhe compete, sem te esqueceres de que, acima de todas as bem-aventuranças, brilham os divinos dons daqueles que ouvem a Palavra do Senhor, colocando-a em prática
 
(Mensagem publicada no livro "Pão Nosso", de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editora FEB)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Esforço e Oração

 
 
“E, despedida a multidão, subiu ao monte a fim de orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.” – (Mateus, 14:23.)
De vez em quando, surgem grupos religiosos que preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração.
Nesse particular, entretanto, o Mestre é sempre a fonte dos ensinamentos vivos. O trabalho e a prece são duas características de sua atividade divina.
Jesus nunca se encerrou a distância das criaturas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração, mas também cultivou a prece em sua altura celestial.
Despedida a multidão, terminado o esforço diário, estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai, na oração solitária e sublime.
Se alguém permanece na Terra, é com o objetivo de alcançar um ponto mais alto, nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer. E, pela oração, o homem recebe de Deus o auxílio indispensável à santificação da tarefa.
Esforço e prece completam-se no todo da atividade espiritual.
A criatura que apenas trabalhasse, sem método e sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura do coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.
A oração ilumina o trabalho, e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada.
Cuida de teus deveres porque para isso permaneces no mundo, mas nunca te esqueças desse monte, localizado em teus sentimentos mais nobres, a fim de orares “à parte”, recordando o Senhor.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

PRECE DIFERENTE



Senhor!
Eu desejo Te fazer uma rogativa diferente. Todos pedem pelos injustiçados, por aqueles que têm sede e fome de justiça. Eu Te peço pelos que cometem injustiças.
Todos rogam pelas vítimas das drogas. Eu Te rogo, Senhor, por aqueles que distribuem as drogas e com isso enriquecem.
São criaturas infelizes que ajuntam fortunas à custa de vidas alheias, de lares destroçados. Logo mais, eles terão que responder perante a Lei Divina por toda a infelicidade que estão cultivando.
Muitos pedem pelos órfãos e pelas viúvas. Eu Te rogo, Senhor, por aqueles que deixaram as crianças sem pai e as mulheres sem marido, porque todos os que espalham o mal, brevemente enfrentarão o julgamento da própria consciência.
Todos suplicam pelas mães que tiveram as vidas dos seus filhos ceifadas em plena juventude, pelo braço da violência assassina.
Pelas mães que choram a ausência dos filhos que eram toda a sua alegria.
Mas eu, Senhor, Te peço pelos corações das mães que têm seus filhos encerrados nas prisões. Por aquelas que os receberam nos braços, os amamentaram e teceram mil sonhos de ventura e os viram todos destroçados.
Te peço, Senhor, pelas mães que sofrem por ouvirem muitos chamarem seus filhos de bandidos, de criminosos, de homens sem alma.
Muitos suplicam pelos que padecem fome. Eu Te suplico por aqueles que a provocam. Por aqueles que, tendo abarrotados os celeiros, mantêm as portas fechadas, esperando que o preço suba, que o mercado fique melhor para poderem ganhar maiores somas em dinheiro.
Todos pedem em favor dos que não têm acesso aos medicamentos, aos hospitais, a exames e a um tratamento digno.
Eu Te rogo por todos aqueles que fazem das suas possibilidades de servir ao semelhante uma oportunidade de conseguir ainda mais moedas para acrescentar nas suas contas bancárias.
Muitos estendem súplicas aos céus pelos idosos abandonados que vivem nos asilos, nas ruas, nas clínicas.
Eu Te suplico por aqueles que os abandonaram porque um dia colherão a exata medida do que estão semeando na atualidade.
Enfim, Senhor, enquanto todos rogam pelos infelizes e desgraçados, eu Te rogo por aqueles que sorriem mas apresentam o coração em chaga viva, por aqueles que parecem ser vencedores no mundo, mas que trazem na intimidade a mensagem da frustração, do desamor e da solidão.
Eu Te peço, Senhor, por todos os que se encontram no momento da semeadura infeliz porque, na época da colheita, sofrerão imensamente por todos os espinhos que terão de colher.

O primeiro ato que deveria assinalar o dia do cristão é a prece.
Não existe uma fórmula especial para orar. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.
A qualidade principal da prece é ser clara, simples, sem frases inúteis.
Cada palavra deve ter alcance próprio, despertar uma ideia, pôr em vibração uma fibra da alma. Orar por si mesmo é necessidade da criatura. Orar pelos que persistem no erro, é exercício de amor ao semelhante.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Anjo Solitário


Enquanto o Mestre agonizava na cruz, rasgou-se o céu em Jerusalém e entidades angélicas, em grupos extensos, desceram sobre o Calvário doloroso...
Na poeira escura do chão, a maldade e a ignorância expeliam trevas demasiadamente compactas para que alguém pudesse divisar as manifestações sublimes.
Fios de claridade indefinível passaram a ligar o madeiro ao firmamento, embora a tempestade se anunciasse a distância...
O Cristo, de alma sedenta e opressa, contemplava a celeste paisagem, aureolado pela glória que lhe bafejava a fronte de herói, e os emissários do paraíso chegavam, em bandos, a entoarem cânticos de amor e reconhecimento que os tímpanos humanos jamais poderiam perceber.
Os anjos da ternura rodearam-lhe o peito ferido, como a lhe insuflarem energias novas.
Os portadores da consolação ungiram-lhe os pés sangrentos com suave bálsamo.
Os embaixadores da harmonia, sobraçando instrumentos delicados, formaram coroa viva, ao redor de sua atribulada cabeça, desferindo comovedoras melodias a se espalharem por bênçãos de perdão sobre a turba amotinada.
Os emissários da beleza teceram guirlandas de rosas e lírios sutis, adornando a cruz ingrata.
Os distribuidores da justiça, depois de lhe oscularem as mãos quase hirtas, iniciaram a catalogação dos culpados para chamá-los a esclarecimento e reajuste em tempo devido.
Os doadores de carinho, em assembléia encantadora, postaram-se à frente dele e acariciavam-lhe os cabelos empastados de sangue.
Os enviados da luz acenderam focos brilhantes nas chagas doloridas, fazendo-lhe olvidar o sofrimento.
Trabalhavam os mensageiros do Céu, em torno do Sublime Condutor dos homens, aliviando-o e exaltando-o, como a lhe prepararem o banquete da ressurreição, quando um anjo aureolado de intraduzível esplendor apareceu, solitário, descendo do império magnificente da Altura.
Não trazia seguidores e, em se abeirando do Senhor, beijou-lhe os pés, entre respeitoso e enternecido. Não se deteve na ociosa contemplação da tarefa que, naturalmente, cabia aos companheiros, mas procurou os olhos de Jesus, dentro de uma ansiedade que não se observara em nenhum dos outros.
Dir-se-ia que o novo representante do Pai Compassivo desejava conhecer a vontade do Mestre, antes de tudo. E, em êxtase, elevou-se do solo em que pousara, aos braços do madeiro afrontoso. Enlaçou o busto do Inesquecível Supliciado, com inexcedível carinho, e colou, por um instante, o ouvido atento em seus lábios que balbuciavam de leve.
Jesus pronunciou algo que os demais não escutaram distintamente.
O mensageiro solitário desprendeu-se, então, do lenho duro, revelando olhos serenos e úmidos e, de imediato, desceu do monte ensolarado para as sombras que começavam a invadir Jerusalém, procurando Judas, a fim de socorrê-lo e ampará-lo.
Se os homens lhe não viram a expressão de grandeza e misericórdia, os querubins em serviço também lhe não notaram a ausência. Mas, suspenso no martírio, Jesus contemplava-o, confiante, acompanhando-lhe a excelsa missão, em silêncio.
Esse era o anjo da Caridade.


(Mensagem extraída do livro Estante da vida, cap. 34.)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Retrato de Mãe



Maria Dolores

Depois de muito tempo,
sobre os quadros sombrios do calvário.
Judas, cego no além, errava solitário...
Era triste a paisagem, o céu era nevoento...

Cansado de remorso e sofrimento,
Sentara-se a chorar...
Nisso, nobre mulher de planos superiores,
Nimbada de celestes esplendores,
Que ele não conseguia divisar,
Chega e afaga a cabeça do infeliz.
Em seguida, num tom de carinho profundo,
Quase que em oração ela diz:
- meu filho, porque choras?

Acaso não sabeis? – replica o interpelado,
Claramente agressivo.
Sou um morto e estou vivo.
Matei-me e novamente estou de pé,
Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé...
Não ouvistes falar em Judas, o traidor?
Sou eu que aniquilei a vida do senhor...
A princípio, julguei poder fazê-lo rei,
Mas apenas lhe impus, sacrifício, martírio, sangue e cruz.
E em flagelo e aflição
Eis que a minha vida agora se reduz...
Afastai-vos de mim,
Deixai-me padecer neste inferno sem fim...
Nada me pergunteis, retirai-vos senhora,
Nada sabeis da mágoa que me agita...
O assunto que lastimo é unicamente meu...

No entanto a dama calma respondeu:
- meu filho, sei que choras, sei que lutas,
Sei a dor que causa o remorso que escutas...
Venho apenas falar-te
Que Deus é sempre amor em toda parte...
E acrescentou serena:
- a bondade de Deus jamais condena:
Venho por mãe a ti, buscando um filho amado.
Sofre com paciência a dor e a prova.
Terás em breve, uma existência nova...
Não te sintas sozinho ou desprezado!

Judas interrompeu-a e bradou, rude e pasmo:
- mãe? Não me venhais aqui com mentira e sarcasmo.
Depois de me enforcar num galho de figueira,
Para acordar na dor,
Sem mais poder fugir à vida verdadeira.
Fui procurar consolo e força de viver.
Ao pé da pobre mãe que me forjara o ser!...
Ela me viu chorando e escutou meus lamentos.
Mas teve medo dos meus sofrimentos.
Expulsou-me a esconjuros,
Chamou-me monstro, por sinal
Disse que eu era
Unicamente o espírito do mal,
Intimidou-me a terrível retrocesso,
Mandando que apressasse o meu regresso
Para a zona infernal de onde eu vinha...
Ah! Detesto lembrar a horrível mãe que eu tinha...
Não me faleis de mães, não me faleis de amor,
Sou apenas um monstro sofredor...
Inda assim – disse a dama docemente:
- por mais recuses, não me altero,
Amo-te filho meu, amo-te e quero
Ver-te de novo a vida
Maravilhosamente revestida
De paz e luz, de fé e elevação...
Virás comigo à terra,
Perderás pouco a pouco, o ânimo violento,
Terás o coração
Nas águas de bendito esquecimento.
Numa existência de esperança,
Levar-te-ei comigo
A remansoso abrigo.
Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!...

E Judas neste instante.
Como quem olvidasse a própria dor gigante,
Ou como quem se desgarra
De pesadelo atroz,
Perguntou: - quem sois vós?
Que me falais assim, sabendo-me traidor?
Sois divina mulher, irradiando amor,
Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?

No entanto ela a fitá-lo frente a frente,
Respondeu simplesmente:
Meu filho, eu sou a mãe de Jesus!


(Extraído do livro: "Momentos de Ouro", psicografia de Chico Xavier, diversos espíritos)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Tempo


"Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz.” – Paulo. (Romanos, 14:6.)"

A maioria dos homens não percebe ainda os valores infinitos do tempo.

Existem efetivamente os que abusam dessa concessão divina. Julgam que a riqueza dos benefícios lhes é devida por Deus.
Seria justo, entretanto, interrogá-los quanto ao motivo de semelhante presunção.

Constituindo a Criação Universal patrimônio comum, é razoável que todos gozem as possibilidades da vida; contudo, de modo geral, a criatura não medita na harmonia das circunstâncias que se ajustam na Terra, em favor de seu aperfeiçoamento espiritual.
É lógico que todo homem conte com o tempo, mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?

Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma.
A velha expressão popular “matar o tempo” reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.

Nos mais obscuros recantos da Terra, há criaturas exterminando possibilidades sagradas. No entanto, um dia de paz, harmonia e iluminação, é muito importante para o concurso humano, na execução das leis divinas.
Os interesses imediatistas do mundo clamam que o “tempo é dinheiro”, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações... Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência.

Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida; entretanto, desde muitos séculos, o apóstolo nos afirma que o tempo deve ser do Senhor.

(Do Livro "Caminho, Verdade e Vida", de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editado pela FEB)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ensino Espírita


Se abraçaste na Doutrina Espírita o roteiro da própria renovação, em toda parte és naturalmente chamado a fixar-lhe os ensinos.

Administrador, não te limitarás ao controle de patrimônios físicos, porque saberás aplicá-los no bem de todos.

Legislador, não te guardarás na galeria dos privilégios, porque humanizarás os estatutos do povo.

Juiz, não te enquistarás na autoridade de convenção, porque serás em ti mesmo a garantia do Direito correto.

Médico, não estarás circunscrito ao órgão enfermo, porque auscultarás, igualmente, a alma que sofre.

Professor, não terás nos discípulos meros associados no estudo dos números e das letras, mas verdadeiros filhos do coração.

Negociante, não farás do comércio a feira dos interesses inferiores, mas a escola da fraternidade e do auxílio.

Operário, não furtarás o tempo, no exercício da rebeldia, mas vigiarás, satisfeito, o desempenho das próprias obrigações.

Lavrador, não serás sanguessuga insaciável da terra, mas recolher-lhe-ás os produtos, ajudando-a, nobremente, a reverdecer e florir.

Seja qual for a profissão em que te situes, vives convidado a enobrecê-la com o selo de tua fé, moldada nos valores humanos, porquanto, na responsabilidade espírita, toda ação no bem precisa ultrapassar o dever para que o ato de servir se converta em amor.

Hoje e agora, onde estivermos, segundo os nossos princípios, somos constantemente induzidos a lecionar disciplinas de entendimento e conduta.

Aqui é a solidariedade, ali é a fidelidade aos compromissos, adiante é a compreensão, mais além, é a renúncia...

Aqui é o devotamento ao trabalho, ali é a paciência, adiante é o perdão incondicional, mais além é o espírito de sacrifício...

Doutrina Espírita, na essência, é universidade de redenção.

E cada um de seus profitentes ou alunos, por força da obrigação no burilamento interior, é obrigado a educar-se para educar.

É por isso que, se lhe esposaste as tarefas, seja esse ou aquele o setor de tuas atividades, estarás, cada dia, ensinando o caminho da elevação, na cadeira do exemplo.

(Página do livro "Seara dos Médiuns", de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier)

segunda-feira, 5 de março de 2012

JESUS


Há tanto que podemos falar sobre Jesus. Mas ao mesmo tempo que uma avalanche de informações nos vem à mente, um branco quase total, também aparece. É como se não nos fosse possível resumir, no vocabulário limitado que temos, a grandeza e a luminosidade que é este Espírito. Ou melhor dizendo, nós até conseguimos copiar algumas definições belas, em inúmeras obras. Mas, sentimos mesmo a dificuldade quando tentamos representar, por pouco que seja, a sensação que algumas pessoas tiveram de estar na presença do Mestre. Pedimos licença para citar uma música do sacerdote católico Pe. Fábio de Melo que diz em uma de suas estrofes:
“Eu fico tentando compreender, o que nos teus olhos pôde ver, aquela mulher na multidão, que já condenada, acreditou que ainda havia uma opção, que ainda havia o que fazer, e ao se prender no seu olhar, decerto haveria de vencer.”

Que ternura não devia emanar daquele homem... Que sensação de paz não deviam sentir  as pessoas ao seu redor... Que doçura devia ter a sua voz, o seu falar, a inflexão toda especial que ele colocara ao falar no íntimo de cada um, que fazia com que cada indivíduo percebesse que falava diretamente consigo. Foi assim com Madalena, que o reconheceu na alvorada da ressurreição; com Pedro, amargurado por tê-lo negado por três vezes; com Judas, que foi por ele confortado no plano espiritual; com Paulo de Tarso, na estrada de Damasco; com Francisco de Assis, no caminho para as cruzadas; com Allan Kardec, no advento do Espírito de Verdade; com Chico Xavier em seu mandato mediúnico; com Teresa de Calcutá, em cada um dos pobres que acolhia; a lista vai longe.
Encontramos em Emmanuel, no livro Há 2000 anos, o primeiro encontro dele, então encarnado como o orgulhoso senador romano Públio Lentulus, com Jesus. O orgulho e a vaidade, característicos da aristocracia romana da época, impediram que este primeiro encontro rendesse os frutos necessários à modificação daquele espírito, mas mesmo assim, marcas profundas foram gravadas na intimidade daquela criatura. Eis o trecho do livro onde o senador descreve a primeira visão de Jesus:

“diante de seus olhos ansiosos, estacara personalidade inconfundível e única. Tratava-se de um homem ainda moço, que deixara transparecer nos olhos, profundamente misericordiosos, uma beleza suave e indefinível. Longos e sedosos cabelos molduravam-lhe o semblante compassivo, como se fossem fios castanhos, levemente dourados por luz desconhecida. Sorriso divino, revelando ao mesmo tempo bondade imensa e singular energia, irradiava de sua melancólica e majestosa figura uma fascinação irresistível.”

E o mesmo Emmanuel, agora no plano espiritual, nos diz, quase 2000 anos depois, mais precisamente no ano de 1940, no livro “O Consolador”, através da mediunidade de Chico Xavier:
“Enviado de Deus, Ele foi a representação do Pai junto do rebanho de filhos transviados de seu amor e de sua sabedoria, cuja tutela lhe foi confiada nas ordenações sagradas da vida do infinito.”

O próprio Cristo dizia isso, nas seguintes palavras:

“Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem. Como o Pai me conhece, assim eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor..” (jo. 10 :11-18)
E quantos benefícios tem recebido aqueles que já procuram ouvir a voz desse pastor divino. Quantos esclarecimentos tem recebido aqueles que, abraçando o espiritismo, que é a mensagem do Cristo rediviva, compreendem a mensagem de Jesus. Quanto consolo tem recebido aqueles que resolvem, após tantas tentativas, estudar e pôr em prática os ensinamentos evangélicos.

E não poderia ser de outra forma. Para cada abismo em nossa vida, Jesus nos estende uma ponte segura. Quando nos sentimos sozinhos e vemos a imensa onda de problemas querer se abater sobre nós, o Mestre ergue-se na embarcação de nosso coração e, tal qual o fez com os discípulos no mar de Genesaré,  acalma a tempestade, nos estimulando: “tende coragem, Eu venci o mundo!”
E quando nos assaltam dúvida sobre qual caminho seguir, Ele é enfático: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”
E se mesmo buscando a luz de seus esclarecimentos, sentimos os efeitos da incompreensão aqueles que nos cercam, Jesus nos aconchega em seu colo e sussurra. baixinho em nosso ouvido: “Bem aventurados sois vós, quando fores perseguidos e caluniados por causa de Meu nome.”
A ti, Divino Amigo, Irmão Maior e paz de nossas vidas, o nosso sincero agradecimento e nossa humilde súplica: ajuda-nos a vencer as batalhas que travamos contra nós mesmos, auxilia-nos a te guardar em nosso coração, fazendo de nós, seres melhores, dignos de teu amor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Programação de Palestras de Março

Quinta-feira, 01/03/2012
O Livro dos Espíritos cap.1  questões 920 a 933.
Tema:  Felicidade e infelicidade relativas
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 6, itens 1 a 4.
Tema:  O Cristo consolador.


Domingo, 04/03/2012
A Vida em Família, cap. 23 a 24
Tema: O casamento na visão espírita.

Quinta-feira, 08/03/2012
O Livro dos Médiuns, cap. 1
Tema: Há espíritos? A existência dos espíritos segundo o Livro dos Médiuns
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7, itens 1 a 7
Tema: Bem-aventurados os pobres de espírito.

Domingo, 11/03/2012
O Livro dos Espíritos cap.1  questões 934 a 936.
Tema: Perda de pessoas amadas.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 8, itens 1 a 11.
Tema: Bem-aventurados os que tem puro o coração.

Quinta-feira, 15/03/2012
O Livro dos Espíritos cap.1  questões 937 a 938.
Tema: Decepção. Ingratidão. Afeições destruídas.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 9, itens 1 a 5.
Tema: Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.

Domingo, 18/03/2012
O Livro dos Espíritos cap.1  questões 939 a 940A.
Tema: Uniões antipáticas.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 10, itens 1 a 11.
Tema: Bem-aventurados os que são misericordiosos.
Quinta-feira, 22/03/2012
 Céu e Inferno, cap. 8.
Tema: Expiações terrestres – a mensagem de Marcel, o menino do nº4.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 11, itens 1 a 5.
Tema: Amar o próximo como a si mesmo.

Domingo, 25/03/2012
Campanha da FEB: Viver em Família.
Tema: O lar e a sociedade diante do respeito aos idosos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 12, itens 1 a 7.
Tema: Amai os vossos inimigos.


Quinta-feira, 29/03/2012
Tema: Os trabalhos do atendimento fraterno no Centro Espírita.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Espiritismo



O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domino do fantástico e do maravilhoso. E a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e dai vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxilio da qual tudo se explica de modo fácil.
 A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários. É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.
Assim como o Cristo disse: "Não vim destruir a lei, porém cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.1, itens 5 a 7)